coberto soterrado aflito de fora pra dentro de dentro pra fora
rostos incógnitos corpo semelhante o meu corpo é o seu
corpo objeto
instrumento esquecido dentro da máquina triturado e ainda presente
ainda em cena
tudo é nossa cena nossa alegria seguida de solidão nossa decepção nossa rotina
espaço detrator corpo passivo corpo encaixado corpo inerte
corpo inerte
soterrado no material esbanjado na cor variada na possibilidade subjetiva
na informação repetida trânsito tangente chocante perfeitamente enquadrado na faixa
Rua sem saída entra para e pensa
pensa para e volta
volta para e pensa
imagem pronta duvida pronta desencaixe desconfortável desse espaço ou do outro
e do outro
desligado desenergizado eletrificado e aceso incessante e concluinte
reiniciante reorganizável repensável
responsabilizado por si mesmo
se dois, soterram-se
IMPULSO PROPULSOR EXECUTÁVEL
Os momentos blues eu vi e reconheço de olhos fechados, na verdade mais de olhos fechados que abertos. O improvisar deles, é como eu disse no início, começa puro e simples, mas começa a entrar em outro lance, espaço que você não acredita, a técnica fluindo quilometricamente e sem fim, eles podem intercalar escalas até... não sei, e talvez nunca saiba. Eu fico nesse mundo de três acordes puros onde o silêncio é o o entendimnto que o Nelson fala, é a reflexão que eu tanto faço, explosão crua e pausa intensa, o blues duro e com um balanço próprio que não vai, efetivamente, longe em lugar, mas alcança subjetividades únicamente sinceras e próprias. Oposição que não diminui nem jazz nem blues, os dois juntos são aquela mulher mágica dos quadrinhos, que na verdade é invenção do vilão pra enganar herói.
O blues é esse caso pessoal, essa dor só sua, esse sorriso que só se espreguiça em você.
...e eu rodo o que gira o que é movimento espiral variada variação latente sereno desejo rolando pulso calmo calmo e intenso que eu deixo sair e controlo e surpresa e libero momento próprio de olhar o presente de ser potente da alegria do artista da conquista social da força antiparadigmática da oposição saudável e isso não para aqui... nem ali... tenho certeza da felicidade...
O sentido dos gestos não é dado, mas compreendido [...]. A comunicação ou
compreensão dos gestos se obtém pela reciprocidade de minhas intenções e dos
gestos do outro, de meus gestos e das intenções legíveis na conduta do outro.
Tudo ocorre como se a intenção do outro habitasse meu corpo ou como se
minhas intenções habitassem o seu.
Merleau-Ponty
1
Entusiasta desregrado liga e desligado baixo caminhante que fala fala encontra e perde e desfaz e repete e repete não se lembra e muda
mudo quieto identidade e transe
muito quieto tudo quero corpo e pulso
mundo quieto todo transe
junto quieto peito pulsante
O diálogo, hoje em dia, pressupõe uma opinião individual, outra opinião individual, o respeito em não convencer o outro e a reafirmação a si mesmo de que a opinião individual é absoluta, tanto a própria quanto a do outro. Sendo assim, não há diálogo e o ser humano é respeitoso.


