Dois pontos mortos: o fim da queda, o corpo caído no chão e o equilíbrio do corpo imóvel na vertical. Todo o espaço da vida e da dança, se desnrola neste "arco entre dois pontos mortos". Doris Humphrey.
na zoada do arame
no espirro da lama
na farpa da madeira
no som da unha
no estalo do osso
no frio da barriga
na barriga da fome
na mordida da língua
Vinte reais a dose uma esbórnia com a escória
um boogie com duas outras
três garrafas lots de blues nenhuma gaita
um vídeo do Vajman duas guitarras vinte reais a dose
dez reais e vinte reais a dose uma cerveja quente
outra vodka uma Não Posso Com Mulher
um Chevrolet
um nunca mais pra vinte reais a dose, boa dose.
coberto soterrado aflito de fora pra dentro de dentro pra fora
rostos incógnitos corpo semelhante o meu corpo é o seu
corpo objeto
instrumento esquecido dentro da máquina triturado e ainda presente
ainda em cena
tudo é nossa cena nossa alegria seguida de solidão nossa decepção nossa rotina
espaço detrator corpo passivo corpo encaixado corpo inerte
corpo inerte
soterrado no material esbanjado na cor variada na possibilidade subjetiva
na informação repetida trânsito tangente chocante perfeitamente enquadrado na faixa
Rua sem saída entra para e pensa
pensa para e volta
volta para e pensa
imagem pronta duvida pronta desencaixe desconfortável desse espaço ou do outro
e do outro
desligado desenergizado eletrificado e aceso incessante e concluinte
reiniciante reorganizável repensável
responsabilizado por si mesmo
se dois, soterram-se
IMPULSO PROPULSOR EXECUTÁVEL
Os momentos blues eu vi e reconheço de olhos fechados, na verdade mais de olhos fechados que abertos. O improvisar deles, é como eu disse no início, começa puro e simples, mas começa a entrar em outro lance, espaço que você não acredita, a técnica fluindo quilometricamente e sem fim, eles podem intercalar escalas até... não sei, e talvez nunca saiba. Eu fico nesse mundo de três acordes puros onde o silêncio é o o entendimnto que o Nelson fala, é a reflexão que eu tanto faço, explosão crua e pausa intensa, o blues duro e com um balanço próprio que não vai, efetivamente, longe em lugar, mas alcança subjetividades únicamente sinceras e próprias. Oposição que não diminui nem jazz nem blues, os dois juntos são aquela mulher mágica dos quadrinhos, que na verdade é invenção do vilão pra enganar herói.
O blues é esse caso pessoal, essa dor só sua, esse sorriso que só se espreguiça em você.
...e eu rodo o que gira o que é movimento espiral variada variação latente sereno desejo rolando pulso calmo calmo e intenso que eu deixo sair e controlo e surpresa e libero momento próprio de olhar o presente de ser potente da alegria do artista da conquista social da força antiparadigmática da oposição saudável e isso não para aqui... nem ali... tenho certeza da felicidade...
O sentido dos gestos não é dado, mas compreendido [...]. A comunicação ou
compreensão dos gestos se obtém pela reciprocidade de minhas intenções e dos
gestos do outro, de meus gestos e das intenções legíveis na conduta do outro.
Tudo ocorre como se a intenção do outro habitasse meu corpo ou como se
minhas intenções habitassem o seu.
Merleau-Ponty
1
Entusiasta desregrado liga e desligado baixo caminhante que fala fala encontra e perde e desfaz e repete e repete não se lembra e muda
mudo quieto identidade e transe
muito quieto tudo quero corpo e pulso
mundo quieto todo transe
junto quieto peito pulsante
O diálogo, hoje em dia, pressupõe uma opinião individual, outra opinião individual, o respeito em não convencer o outro e a reafirmação a si mesmo de que a opinião individual é absoluta, tanto a própria quanto a do outro. Sendo assim, não há diálogo e o ser humano é respeitoso.
...nesses nossos dias carretas
Nesses nossos dias carregam
Nesses nossos dias correm
Nesses dias nossos correm
coisas e casas casas e coisas e coisas com duas mãos
e vinte dedos quarenta alcançes
nesses nossos dias canse
nesses Nossos dias nesses colos fazem calos
Carinhos expressos capuccinos espertos e espetos de R$2,50
Nesses caminhos retos e parados
Nossos tamanhos minúsculos e explodentes implodentes
Impotentes em tempo quente tempo curto
Nesses nossos dias carretas somos nós carregando nossos 40 entulhos em vinte dedos
a contemporaneidade...
O pensamento do artista contemporâneo
o pensamento contemporâneo do artista
as dúvidas questões propulsões o caos da estética
contemporânea curva do rio todos correm chegam empurram
acumulam misturam param vazam transbordam
as pessoas os pensamentos as referências as atitudes até a violência ta perdida
vivo intrinsecamente a contemporaneidade
homem de meu tempo questiono até pensamento
a parte da certeza histórica a busca de hoje
olho pra cá, olho aqui, enxergo aqui, sei que não enxergo aqui
peço que olhem pra mim, olhem por mim, olhem comigo
diga o que vê
correram até essa curva do rio.
Comunidade estética, comunidade ética...
Nityren pensante
gangue pulsante convívio do sobrevivo sobre vivo sobre vidros e vidros sobem
soube dos negros, porto riquenhos e Bronx o harlem antes dos globetrotters ja corporeificava as esquinas
encarar a violência e a dificuldade não sozinho
eu e meu crew
meu crew e eu
o fundamento e o estilo
o propagar não parar repassar e aprender
a luta contra o repreender
concentrar
uma MANIFESTAÇÃO CULTURAL DA DIÁSPORA NEGRA
percorrendo a linha
...dialética branco preto
0 pessoas têm algo a dizer sobre isso Quem escreveu fui eu, o Felipe às 20:11De olhos fechados não enxergamos nada, mas se ainda de olhos fechados vemos um ponto branco, em todo o resto vemos preto.
Só digo que o amor é dor se for cor sem amor se for flor meio a odor um ar um nó não dó apreço


