Dois pontos mortos: o fim da queda, o corpo caído no chão e o equilíbrio do corpo imóvel na vertical. Todo o espaço da vida e da dança, se desnrola neste "arco entre dois pontos mortos". Doris Humphrey.


“na fila”, “em pé se equilibrando”, “se segurando”, “esmagado”, “saindo/se libertando” (o corpo refletindo), “carregando muitos objetos”, “corpo cansado”, “corpo incompleto”. Ao mesmo tempo um corpo em seu espaço, que cogita permanecer ali, que valoriza seu momento e o que já possui, demonstra estar em conforto.


“na fila”, “sentado assistindo” (em vários lugares, vários espetáculos, varias artes, assistir a plátéia) “relacionando tudo o que viu”(o corpo refletindo), “tentando alcançar mais de uma coisa”, “corpo sedento”, “corpo pleno”. Ao mesmo tempo um corpo em seu espaço, que cogita permanecer ali, que valoriza seu momento e o que já possui, demonstra estar em conforto.


...a pesquisa de movimentos, o corpo será colocado a experimentar em ações tanto no polo do metrô, quanto no polo do CCSP. Encontradas as limitações, a potência de resolução vai trazer a expressão humana para o corpo e seu movimento, trata-se de realidade movimentada. Diferentes estágios de um corpo limitado.


na zoada do arame

no espirro da lama
na farpa da madeira
no som da unha
no estalo do osso
no frio da barriga
na barriga da fome
na mordida da língua

Vinte reais a dose uma esbórnia com a escória
um boogie com duas outras
três garrafas lots de blues nenhuma gaita
um vídeo do Vajman duas guitarras vinte reais a dose
dez reais e vinte reais a dose uma cerveja quente
outra vodka uma Não Posso Com Mulher
um Chevrolet
um nunca mais pra vinte reais a dose, boa dose.


Corpo preso limitado cercado aprisionado que se limita
coberto soterrado aflito de fora pra dentro de dentro pra fora
rostos incógnitos corpo semelhante o meu corpo é o seu
corpo objeto
instrumento esquecido dentro da máquina triturado e ainda presente
ainda em cena
tudo é nossa cena nossa alegria seguida de solidão nossa decepção nossa rotina
espaço detrator corpo passivo corpo encaixado corpo inerte
corpo inerte
soterrado no material esbanjado na cor variada na possibilidade subjetiva
na informação repetida trânsito tangente chocante perfeitamente enquadrado na faixa

Faixa enquadrada no encaixe inerte de cercas plantadas e espaço fechado
Rua sem saída entra para e pensa
pensa para e volta
volta para e pensa
imagem pronta duvida pronta desencaixe desconfortável desse espaço ou do outro
e do outro
desligado desenergizado eletrificado e aceso incessante e concluinte
reiniciante reorganizável repensável
responsabilizado por si mesmo
se dois, soterram-se

IMPULSO PROPULSOR EXECUTÁVEL


O lance do jazzzzz... aquele blues que anda por espaços que só poucos brancos muito inteligentes andam, aquela rua um pouco quieta demais com casas de pintura sem pixação, meio mansão, um nível elaborado e belo, bem arquitetura clássica Da Vinciana, há! Se ele fosse pedreiro... mas o show, ontem no Syndikat me falou: cara, olha até onde esses caras vão, e não param e curvas e ladeiras, e ladeiras íngremes, subindo e descendo e solta o freio (e dificilmente eles soltam). E por uns momentos acho até que eles saíram da estantinha partituresca, o quarto integrante. O contra baixo é outro lance, à parte. Sem trastes, antes de morrer eu empunho um daquele. Pra mim um músico que domina o seu instrumento pode morrer feliz e considerando a vitória do Corinthians, ontem, aquele gordinho pode morrer sorrindo de orelha a orelha, aquelas coisas que ele “descobria” em ritmos (porque tava tudo na partitura), me faziam levantar da cadeira desacreditado, os caras são realmente bons... de música e coração.

Os momentos blues eu vi e reconheço de olhos fechados, na verdade mais de olhos fechados que abertos. O improvisar deles, é como eu disse no início, começa puro e simples, mas começa a entrar em outro lance, espaço que você não acredita, a técnica fluindo quilometricamente e sem fim, eles podem intercalar escalas até... não sei, e talvez nunca saiba. Eu fico nesse mundo de três acordes puros onde o silêncio é o o entendimnto que o Nelson fala, é a reflexão que eu tanto faço, explosão crua e pausa intensa, o blues duro e com um balanço próprio que não vai, efetivamente, longe em lugar, mas alcança subjetividades únicamente sinceras e próprias. Oposição que não diminui nem jazz nem blues, os dois juntos são aquela mulher mágica dos quadrinhos, que na verdade é invenção do vilão pra enganar herói.
 O blues é esse caso pessoal, essa dor só sua, esse sorriso que só se espreguiça em você.

...

...e eu rodo o que gira o que é movimento espiral variada variação latente sereno desejo rolando pulso calmo calmo e intenso que eu deixo sair e controlo e surpresa e libero momento próprio de olhar o presente de ser potente da alegria do artista da conquista social da força antiparadigmática da oposição saudável e isso não para aqui... nem ali... tenho certeza da felicidade...

Limón. Vida.



O aspecto da unidade humana é contemporâneo, assim a proposta de Limón é atual. Temos a necessidade do olhar interno, porém sem conceitos sociais atrofiantes e sim com uma sinceridade e valorização das nossas particularidades, ao mesmo tempo estando dispostos a colocá-las à disposição para o diálogo com as particularidades do outro, abertos à criação espontânea e real, à relação humana e natural. Assim a arte continua... a retratar as realidades do homem em seu tempo. E “retratar” já não é mais a palavra a se usar.

Gestos


O sentido dos gestos não é dado, mas compreendido [...]. A comunicação ou
compreensão dos gestos se obtém pela reciprocidade de minhas intenções e dos
gestos do outro, de meus gestos e das intenções legíveis na conduta do outro.
Tudo ocorre como se a intenção do outro habitasse meu corpo ou como se
minhas intenções habitassem o seu.
Merleau-Ponty
1


Alfaiataria de Gestos
“Meus gestos se repetem”
Eu ouvi isso da boca dele num sussurro, num cuspir de dor espremido naquele corpo atrofiante que simplesmente se movimentava em 100% do seu repertório de atrofiação, todos os pequenos impulsos – espremidos – os quais eram forma e deforma dele, aconteciam simultaneamente engavetando-se uns aos outros com choques, com ralados, com reflexos, com reações, com inércias e impactos internos e que me pareciam vir do eterno cultivar de mesquinharia gestual de impulsos implodidos seguindo na contra mão. Essa é a imagem de pequenos espirros que são presos pelo nariz e a boca, assim todo o impulso (no sentido de expulsar) é rebatido provocando implosão dentro do corpo, uma energia que agride internamente todos os órgãos. E além da violência, mantém o que dever ser expelido, vivo e criado, alimentado e forte.

Ouvi também sobre a casca, sobre o frágil, vi um maciço/casca. Não só um corpo vazio, cascudo e leve, penoso (como pena e como misericórdia), mas também um corpo que segue sem dúvidas, que realmente não questiona caminho, porém age intermitentemente, cotidianamente, retalhando possíveis sentidos, possíveis visões, possíveis motivos e consequências, e relações, e reações, sem considerar diálogo, nem humanidade. A lembrança me provoca ânsia de vômito. O corpo maciço, como que tênis estufado de papel, pesado e pronto pra ser vendido, se colocando em cima da mesa, colocando a mesa à cima de si, sem sentido nem questionamento ou, repito, relação.

...

...ser meio...

...


Entusiasta desregrado liga e desligado baixo caminhante que fala fala encontra e perde e desfaz e repete e repete não se lembra e muda
mudo quieto identidade e transe
muito quieto tudo quero corpo e pulso
mundo quieto todo transe
junto quieto peito pulsante

Diálogo

O diálogo, hoje em dia, pressupõe uma opinião individual, outra opinião individual, o respeito em não convencer o outro e a reafirmação a si mesmo de que a opinião individual é absoluta, tanto a própria quanto a do outro. Sendo assim, não há diálogo e o ser humano é respeitoso.

...nesses nossos dias carretas
Nesses nossos dias carregam
Nesses nossos dias correm
Nesses dias nossos correm
coisas e casas casas e coisas e coisas com duas mãos 
e vinte dedos quarenta alcançes
nesses nossos dias canse
nesses Nossos dias nesses colos fazem calos
Carinhos expressos capuccinos espertos e espetos de R$2,50
Nesses caminhos retos e parados
Nossos tamanhos minúsculos e explodentes implodentes
Impotentes em tempo quente tempo curto
Nesses nossos dias carretas somos nós carregando nossos 40 entulhos em vinte dedos

a contemporaneidade...

O pensamento do artista contemporâneo
o pensamento contemporâneo do artista
as dúvidas questões propulsões o caos da estética
contemporânea curva do rio todos correm chegam empurram
acumulam misturam param vazam transbordam
as pessoas os pensamentos as referências as atitudes até a violência ta perdida
vivo intrinsecamente a contemporaneidade
homem de meu tempo questiono até pensamento
a parte da certeza histórica a busca de hoje
olho pra cá, olho aqui, enxergo aqui, sei que não enxergo aqui
peço que olhem pra mim, olhem por mim, olhem comigo
diga  o que vê

correram até essa curva do rio.

Comunidade estética, comunidade ética...
Nityren pensante
gangue pulsante convívio do sobrevivo sobre vivo sobre vidros e vidros sobem
soube dos negros, porto riquenhos e Bronx o harlem antes dos globetrotters ja corporeificava as esquinas
encarar a violência e a dificuldade não sozinho
eu e meu crew
meu crew e eu
o fundamento e o estilo
o propagar não parar repassar e aprender
a luta contra o repreender
concentrar

uma MANIFESTAÇÃO  CULTURAL DA DIÁSPORA NEGRA
percorrendo a linha

De olhos fechados não enxergamos nada, mas se ainda de olhos fechados vemos um ponto branco, em todo o resto vemos preto.

Só digo que o amor é dor se for cor sem amor se for flor meio a odor um ar um nó não dó apreço

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Leme-Bela Vista; Leblon-Jardins; Santa Tereza-Roosevelt; Centro-Centro; Copacabana-Augusta; Ipanema-Cerqueira Cezar; Belezas naturais-Educação; Lapa-Vila Madalena; Ator-Artista (opá!); Campo Grande-Itaquera; Rocinha-Heliópolis; Entretenimento-Arte; Espontaneidade-intelecto; Preguiça-Trabalho; Malandragem-Trabalho; Saúde-Fadiga; Unidos da Tijuca-Mocidade Alegre; Dois pedaços de Brasil.

Viva as semelhanças e diferenças, viva!

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